Especialistas do Ecossistema compartilham suas perspectivas sobre a sala de aula e seus desafios para esse ano
Não parece, mas a década de 2020 já passou da metade. Em cerca de 6 anos, passamos por uma pandemia, cenários político e internacional instáveis e mais uma leva de inovações tecnológicas. Inevitavelmente, esse cenário afetou a maneira como aprendemos e ensinamos. Como de costume nos primeiros meses do ano, é comum que nos perguntemos quais são os maiores temas da Educação em 2026.
Enquanto para alunos essas transformações significam novas formas de aprender, para os docentes há o desafio em navegar nesses novos temas, com domínio do conteúdo e atendendo às exigências dos avanços das inteligências artificiais e às pressões profissionais. Dessa forma, para entender os maiores temas da Educação em 2026 é preciso ouvir quem está à frente da sala de aula.
Quando essa temática retorna ao nosso blog, buscamos identificar no docente o maior especialista, considerando que ele acompanha de perto as possibilidades e novas realidades da Educação, e por outro lado identifica as lacunas no processo de aprendizagem. Os docentes consultados na matéria lecionam em instituições de ensino do Ecossistema BRAS Educacional, e alguns também estão na educação básica.
Neurodivergência em sala de aula
Com a maior atenção à saúde e evolução dos diagnósticos, houve o crescimento também da consciência da diversidade de tipos de aprendizagem, de traços de personalidades distintos, e perfis de alunos – que influenciam diretamente na maneira de assimilar os conteúdos e interagir em sala de aula. Também surgiu a reflexão sobre as possibilidades e desafios desses futuros profissionais no mercado de trabalho.
É a partir dessa nova perspectiva que surge o termo neurodivergência – ou neurodiversidade. Na visão da bióloga e docente da UniBRAS Juazeiro, Carla Regine França, esse é um dos maiores temas da Educação em 2026. Para a educadora, é interessante ter um foco no desenvolvimento desses estudantes em sala de aula, e as exigências que cada uma delas apresenta.
Quando falamos em neurodiversidade, podemos apontar alunos com algum prejuízo no neurodesenvolvimento, como pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) ou transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade (TDAH). Mas também podemos incluir alunos com vantagens na aprendizagem, como aqueles com altas habilidades e superdotação (AHSD).
São muitas as possibilidades, mas há uma unanimidade: todos precisam de suporte adequado. E é justamente nesse ponto que Carla argumenta como de maior atenção para a Educação no momento. “Acho interessante esse tema, mas muitos professores não estão preparados para confrontá-lo. Há educadores que precisam de formação para aprenderem a atuar nas mais diversas situações”, reflete.
A docente chama a atenção para a necessidade de capacitação de todos os profissionais que atuam nas instituições de ensino. Ela explica que isso inclui não só o docente, mas também todos os funcionários dessas escolas e faculdades, em todos os níveis do ensino.
Atualidade inserida no plano de ensino
Para o pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Inácio, a formação integral, com enfoque não somente no conteúdo da matéria de forma isolada, mas também nas ligações e implicações desse conteúdo com o mundo fora da sala de aula, é um dos maiores temas da Educação em 2026. Para ele, não há como formar alunos pensantes sem enxergar o que está acontecendo no cotidiano.
Ao se recusar em considerar a Educação como um fator isolado e confinado à instituição, Bruno destaca que em seu plano de ensino sempre relaciona os conteúdos estudados com o que está acontecendo na atualidade, seja de caráter cultural, econômico, político ou social em geral – priorizando a atuação social em todas as áreas de formação.
“Como se promove uma formação educacional sem estar vinculada ao que está acontecendo na sociedade? Simplesmente não tem como. Quando o objetivo é uma formação integral do indivíduo, é preciso ter como princípio formar o profissional para que ele possa atuar em sociedade”, argumenta.
Dessa maneira, o educador prioriza em suas aulas o ensino do conteúdo básico de cada formação profissional, adicionando ao debate questões sociais relevantes, acontecimentos da atualidade e interpretações críticas da realidade.
A função da instituição de ensino
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, está mais reflexivo sobre o papel das instituições de ensino em si. Para ele, no pós-pandemia, a Educação teve um enfoque maior no fator emocional de alunos e docentes, e houve protagonismo da educação emocional nesse processo. Mas agora ele alerta que a sociedade e o campo educacional como um todo estão com os olhos voltados para a escola.
Falando de Educação em todos os níveis de ensino, Rafael explica que hoje há uma preocupação maior em avaliar se a instituição está cumprindo seu objetivo de ensinar, com destaque para os métodos de ensino e suas efetividades. O educador aponta que as novas tecnologias também se inserem nesse contexto, mas que hoje o próprio Ministério da Educação está de olho nas avaliações de alunos e docentes.
“Eu penso que o desafio hoje é o aprendizado. Será que os alunos realmente estão aprendendo? Será que estamos entendendo qual a melhor forma de ensino? Há um desafio sobre a avaliação, os novos conceitos e os novos marcos regulatórios do MEC para entender como estão esses alunos. Vimos recentemente as notas do ENAD e do EnaMed”, aponta.
Rafael acredita que é momento de pensar sobre o que as instituições de ensino podem agregar de diferente, e o que elas estão fazendo no sentido de formação desses estudantes. Ele também chama a atenção para a necessidade de verificação da eficácia na formação profissional dos educadores, inserindo esse tema no contexto atual de autorreflexão do campo educacional.
A relevância do docente versus a tecnologia
Enquanto a inteligência artificial assusta alguns docentes e os prende na direção contrária a essas plataformas, o pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, já se vê mais a frente nesse debate. Ele destaca que as novas tecnologias não só não ameaçam os docentes, mas reafirmam sua importância, considerando o professor como ponte entre os dados apontados e os problemas reais.
Para ele, um dos maiores temas da Educação em 2026 é entender como as políticas educacionais podem moldar o desenvolvimento humano. “A IA que cria conteúdo e ferramentas que se adaptam já é comum. O desafio agora não é somente usá-la bem tecnicamente, mas integrá-la ao ensino. O foco muda da ferramenta em si para o seu objetivo educacional”, argumenta.
Direcionando para o ensino de adultos, o especialista defende que com o maior escalonamento de tarefas repetitivas à IA, surge mais tempo para as interações humanas insubstituíveis. Por isso a formação docente deve mudar o foco para outras funções, como o uso criativo dessas ferramentas, o combate a barreiras digitais e a garantia de que a tecnologia seja empregada como um meio de inclusão.
Nesse raciocínio, Roberto aponta que o docente deve desempenhar funções de orientação para o senso crítico, incentivar pensamentos complexos, ajudar em questões éticas e emocionais, e apontar experiências de valor. Logo, ele entende como essencial uma formação docente adaptada a essa nova realidade.
“É preciso entender como formar professores para que eles possam criar experiências de aprendizado importantes em parceria com a inteligência artificial, e não apenas para utilizá-la de forma impulsiva”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
Um olhar específico sobre o conjunto de mudanças que ainda permeiam o ensino mesmo após meia década da emergência sanitária Era uma quarta-feira comum como…
Se o planeta está em desequilíbrio e a educação é a resposta, educadores não podem mais ignorar a questão socioambiental Parece utópico, quase impossível, insolucionável.…
Mais que apenas dificuldades de concentração, transtorno afeta pessoas em vários aspectos da vida pessoal, incluindo a aprendizagem Se você está com dificuldade em manter…
Nova lei entreou em vigor em fevereiro deste ano, e proíbe o celular na instituições de ensino do nível básico públicas e privadas. Aprovada recentamente,…